Visitando o Parque Municipal do Passaúna 2


2017/02/24

A represa do rio Passaúna, situada na divisa entre os municípios de Curitiba, Campo Largo e Araucária, foi criada na década de 1980, o alagamento tendo se iniciado em fevereiro de 1987 (Obrzut 2006).(a) A criação da represa afetou profundamente a colônia polonesa de Tomás Coelho, fundada em 1876 e imortalizada pelas magníficas fotos preto-e-branco de João Urban (PARANÁ 1985). Hoje a represa é responsável pelo fornecimento de um terço da água consumida na capital paranaense. Em 1991 foi inaugurada, na porção curitibana da represa, o Parque Municipal do Passaúna, que para os moradores dos três municípios referidos se tornou uma importante área de lazer, com grande potencial para a educação ambiental dos alunos de escolas dos municípios vizinhos (Santos 2014).

O acesso ao Parque com o transporte público de Curitiba é a partir do Terminal do Campo Comprido, onde se pega o alimentador “Vila Marqueto”, que passa ao lado da entrada principal do parque, ou os alimentadores Dona Fina, Rebouças e Santa Ângela, que todos passam pela entrada lateral do parque, na estrada para Timbotuva, Campo Largo.

Visitei o parque em um domingo, 12 de fevereiro de 2017, com vontade de ver borboletas. Mas, devido ao tempo predominantemente nublado, o número de borboletas em voo estava baixo. Vi quinze espécies, mas apenas uma delas estava abundante: a pequena borboleta amarela do gênero Pyrisitia.(b)

Na mesma visita fui atacado por um único exemplar de mutuca, tratando-se de Chrysops varians. Com essa quase ausência de mutucas, estava ótimo para estar no parque. De fato, a margem da represa estava cheia de pessoas, pescando de anzol, tomando banho, fazendo uso das churrasqueiras ou, simplesmente, curtindo a bela paisagem.

Para o conforto dos banhistas e pescadores, a represa está sendo mantida livre de plantas aquáticas flutuantes. Empurrados na margem pela correnteza há um pouco de aguapé (Eichornia crassipes), aguapé-de-cordão (Eichornia azurea) e samambaia-aquática (Salvinia auriculata). Na margem, beirando a água, é abundante uma espécie de titirica (Cyperus sp.). Naquela data, das plantas referidas apenas a titirica estava florida.

Moluscos

Das minhas raras visitas anteriores ao parque, a mais memorável foi aquela do sábado de 6 de outubro de 2012. Devido a uma estiagem prolongada, havia se desenvolvido na margem da represa uma praia estreita de lama ressecada e endurecida. Em certos trechos, a praia expôs uma quantidade razoavelmente grande de conchas mortas, dispersas, pertencentes a uma única espécie de bivalve. As conchas, esculturadas com costelas concêntricas, estavam totalmente abertas. O fato das valvas continuarem conectadas sugeriu que os exemplares tinham morrido recentemente, provavelmente quando o seu substrato ficou exposto ao sol devido ao gradual abaixamento do nível da água. O quero-quero (Vanellus chilensis), sempre presente na margem da represa, pode ter tirado vantagem da situação, predando o molusco moribundo.

Na mesma visita encontrei um único exemplar de outro molusco, um marisco, bem maior que a espécie anterior, morto também e com as valvas ainda conectadas.

Em alguns trechos do parque ocorrem pontes de madeira para atravessar as pequenas ramificações da represa. Junto a uma destas pontes, rapazes estavam se divertindo na água. Contaram-me que residem na vizinhança e que sempre tomam banho ali. Aproveitando-me do seu conhecimento do local, perguntei quais espécies de conchas eles já tinham visto ali. Imediatamente, um deles trouxe à superfície alguns exemplares vivos de um bivalve esculturado e dois exemplares de um marisco. Foram exatamente as mesmas espécies que eu tinha acabado de encontrar mortos na praia, a aproximadamente meio quilômetro dali, como relatei. O rapaz me contou que, andando descalço na lama, ele consegue sentir a presença do marisco enterrado na lama.

De volta em casa identifiquei as duas espécies conforme mostrado na Tabela 1.

Tabela 1. Especies de moluscos encontradas na margem da represa do rio Passaúna, Curitiba, em 6 de outubro de 2012, num período de estiagem prolongada.

Nome

Número
de valvas amostradas

Medida da valva

Outras características

da valva

Espécie

Família Compri-

mento

Altura Largura

(valva individual)

Razão comprim. / altura
Científico Vulgar
Anodontites cf.

trapesialis

marisco-de-água-doce Mycetopodidae 2 duplas 120-135 mm 65-75 mm 19-20 mm 1,80-1,85 charneiro sem dentes
Corbicula fluminea amêijoa-asiática Corbiculidae 8 duplas 19-31 mm 16-25 mm 5-9 mm 1,18-1,30 esculturada com 12 a 15 costelas concêntricas por cm; charneiro com dentes conspícuos

Avelar & Vianna 2008 informam:

Anodontites trapesialis é um dos maiores bivalves de água doce da América do Sul, alcançando em torno de 13 cm de comprimento, 6,5 cm de altura e é utilizado como adornos e até mesmo na confecção de botões de madrepérola. (…). Vive enterrado no substrato argiloso, lodoso ou areno-lodoso, a uma profundidade de aproximadamente 15 a 20 cm. Sua larva, lasídio, parasita geralmente um peixe, (…). Está seriamente ameaçada de extinção principalmente pela ação antrópica e pela introdução de espécies exóticas que invadem o ambiente, se adaptam e acabam competindo com as espécies nativas por espaço e por nutrientes, levando grande vantagem.”.

Informações sobre o parasitismo em peixes da fase larval desta espécie foram compiladas por Felipi & Silva-Souza 2008. Do Paraná, são conhecidas quatro espécies de Anodontites (Agudo-Padrón 2009). Em Curitiba, no período de 1959 a 1963, foi encontrada um representante deste gênero
no rio Atuba e na confluência do rio Atuba e Bacacheri (Zanardini 1965). Foi então comunicado como A. tenebricosus, uma espécie que no Brasil está atualmente restrita ao estado de Rio Grande do Sul (Avelar & Vianna 2008). As espécies desta família (Mycetopodidae) podem ser utilizadas como alimento para seres humanos (Boffi 1979).

Corbicula fluminea, é originária da Sudeste da Ásia e tem sido introduzida na América do Norte (década de 1920), América do Sul (década de 1970) e Europa (década de 1980). No Brasil, os primeiros anos de registro por estado foram os seguintes (fonte Callil & Mansur 2002): 1978 em Rio Grande do Sul, 1996 em Santa Catarina, 1997 no Paraná, 1997 em São Paulo (Avelar 1999), e 1998 em Mato Grosso.(c)

Corbicula fluminea habita os mesmos substratos que Anodontites trapesialis, com a qual deve competir.

Além das duas espécies de bivalves tratadas acima, nos rios de Curitiba são encontradas várias espécies do gênero Diplodon, da família Hyriidae. Também nesta família, as larvas, gloquídios, parasitam peixes (Avelar 1999, Boffi 1979). Em Diplodon, a identificação das espécies é feita através das características das larvas (Zanardini 1965).

São conhecidas 116 espécies de bivalves de água doce no Brasil (Colley et al. 2012) e 44 espécies no estado de São Paulo (Avelar 1999).

Em contraste com a visita de 6 de outubro de 2012, naquela de 12 de fevereiro de 2017 o nível de água na represa estava bem alto. Em muitos lugares na margem, a poucos centímetros acima da água e fixada aos caules e folhas de aguapé, titririca e outras plantas, havia a postura característica de um caramujo do gênero Pomacea (família Ampullariidae), caramujos popularmente conhecidos como aruá. Essa postura tem aspecto de um cacho compacto oblongo de até 5 cm de comprimento e 2,5 cm de largura, com os ovos rosados, esféricos, de 2,5 a 3,0 mm de diâmetro. Segundo a literatura, estes ovos são muito tóxicos, sendo predados por pouquíssimas espécies animais. No Parque Passaúna, os animais adultos estão abundantes e facilmente encontrados na beira da água.(d) A várias pessoas que ali estavam pescando de anzol, perguntei há quanto tempo o caramujo está presente na represa. Algumas responderam que perceberam a sua presença pela primeira vez em 2016, enquanto outras responderam que a espécie está presente ali há décadas, mas que a sua abundância recentemente tem aumentado. Recebendo respostas tão contraditórias, resolvi consultar, no Museu de História Natural “Capão da Imbuia”, o banco de dados referente a coleção de moluscos do museu. Lá verificamos que todas as coleções de Pomacea provenientes do Paraná e presentes na referida coleção provém do Terceiro Planalto, do Litoral e da Serra do Mar. Apenas uma amostragem é do Primeiro Planalto, tratando-se de material coletado em 10/06/1991, por M.R.S. Lopes, no Jardim Botânico Municipal de Curitiba (bairro Jardim Botânico). Já que naquele local frequentemente são trazidas plantas de fora do município, o caramujo pode ter chego na cidade pegando carona com uma destas plantas.

Eu morei no Parque Regional do Iguaçu, na divisa de Curitiba e São José dos Pinhais, de 1979 a 2000, de forma ininterrupta e em todo este período nunca encontrei ali posturas de Pomacea. No entanto, a partir de 2012 este caramujo tem sido encontrado naquela região com certa frequência (Straube et al. 2014). Por volta de 2010 foram encontrados exemplares adultos de Pomacea também no Parque Tingui, bairro São João., Curitiba (Odete Lopez Lopes, com. pess. 2017).

Considerando estes fatos, acho bem provável que a introdução e proliferação de Pomacea no Parque Passaúna é um acontecimento recente, como alguns dos pescadores entrevistados naquele parque me disseram.


Pomacea sp. do “complexo canaliculata”; exemplares do molusco adulto e a postura de ovos rosados; Parque Municipal do Passaúna, Curitiba (2017/02/22).

O gênero neotropical Pomacea tem três espécies conhecidas do PR (Agudo-Padrón 2009), todas herbívoras que vivem em plantas de água doce (http://www.conchasbrasil.org.br/conquiliologia/). Os caramujos de Pomacea formam o alimento principal do caramujeiro (Rosthramus sociabilis) (Sick 1985), um gavião que em Curitiba foi visto pela primeira vez em 2010. Desde então houve mais alguns registros no município, por enquanto somente no vale do rio Iguaçu (Straube et al. 2014). O carão (Aramus guarauna) é outra ave que gosta deste caramujo (Sick 1985). Ele é comum no litoral, mas em Curitiba foi visto apenas uma única vez, em 2012, também no vale do rio Iguaçu.

Algumas espécies de Pomacea foram introduzidas no Velho Mundo, onde se tornaram pragas em algumas plantações, por exemplo de arroz.

São conhecidas 256 espécies de gastrópodes de água doce no Brasil (Colley et al. 2012) e 35 espécies no estado de São Paulo (Simone 1999).

Aves e répteis

O inventário das aves da região do atual Parque Municipal do Passaúna começou com as observações de Pedro Scherer Neto em 1987, o ano do alagamento da região pela represa e cinco anos antes da inauguração oficial do parque. Até 2014 eram conhecidas da represa e do parque um total de 256 espécies de aves: 116 não-Passeriformes e 140 Passeriformes (Straube et al. 2014), um número bastante respeitável. Se o caramujeiro e o carão até hoje não foram vistos no parque, a minha previsão é que isto não demorará para acontecer.

Naquela visita de 12 de fevereiro de 2017 havia um casal da andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer) voando por cima da represa. Esta espécie linda não é nada comum, com poucos registros para Curitiba, mas no Parque Passaúna já tinha sido observada antes: em 2002, 2005 e 2013 (Straube et al. 2014). Na margem da represa havia um único exemplar do tapicuru-de-cara-pelada
(Phimosus infuscatus), uma espécie ainda não comunicada para o Parque Passaúna em Straube et al. 2014.

Na mesma visita também me defrontei com uma chatice. Em cima de uma pedra estavam expostos, de forma ostentativa, duas serpentes sem cabeça. Bem ao seu lado havia dois homens pescando de anzol. Perguntei:

– Porque mataram?

– Mas é uma jararaca-d’água!(e)

– Porque decapitaram?

– Mesmo morta é perigosa, pois tem espinho traiçoeiro.

Virei-lhes as costas e fui examinar os animais. Tratou-se de dois adultos da mesma espécie, com as seguintes características: 17 fileiras de escamas dorsais; as treze fileiras dorsais mais centrais marrom num padrão uniforme (sem linhas); as últimas duas fileiras de escamas dorsais a cada lado do corpo, amarelas; as escamas ventrais amarelas vivas, com mancha central marrom, o conjunto das manchas formando uma linha irregular marrom ao longo do ventre; placa anal dividida. Reconheci a espécie dos meus registros anteriores: vítimas de tráfego no vale do rio Iguaçu, em Curitiba. Tratou-se de Helicops infrataeniatus (cobra-d’água): uma espécie comum, áglifa (sem dentes injetores de veneno), que se alimenta de peixes e anfíbios anuros. Virei-me, com a intenção de entregar o resultado da perícia aos pescadores, mas eles tinham misteriosamente desaparecidos. Passaram umas crianças curiosas e aproveitei para lhes mostrar como contar as fileiras dorsais e quais outras características são importantes para identificar serpentes. Uma menina perguntou: “Mas o que são esses cachos rosados na margem do lago? Meu pai diz que são ovos de cobra.”.

Ela estava se referindo às posturas do caramujo tratado acima.

Alguns pais brasileiros educam os seus filhos e, principalmente, as filhas, para viver com receio da vida silvestre. Fazem isso para protegê-las. Mas como deve ser triste ter de passar a vida toda com medo de serpentes inofensivas.

Seria bom se houvesse casais de voluntários percorrendo os parques no fim de semana, buscando o contato com a criançada e ensinando-lhes fatos reais sobre os seres encontrados ao longo das trilhas.

A primeira aula a ser dado às crianças de todo o Brasil, já no primeiro dia escolar, é de como reconhecer as serpentes peçonhentas locais. Isto evitaria que surgissem adultos como aqueles dois pescadores, que matam indiscriminadamente todas as serpentes que encontram no caminho.

Eu mesmo tive a sorte de, há trinta anos, ter encontrado um professor excelente: o herpetólogo curitibano Renato Silveira Bérnils. Ele me ensinou como distinguir as serpentes peçonhentas do leste do Paraná, dados que hoje vou passar para frente, através da Tabela 2. Com a ajuda do herpetólogo curitibano Júlio Cesar de Moura-Leite, as informações na Tabela 2 foram complementadas para cobrir todo o estado do Paraná.

Há trinta anos, Renato me ensinou que as espécies peçonhentas do gênero Bothrops são imediatamente reconhecíveis pelo desenho, que forma uma série de “ferraduras”, “telefones” (fone de um telefone fixo), ou letras “V” invertidas, a ferradura/fone/letra podendo ser inteiro ou cortado, dependendo da espécie de serpente.

Tabela 2. Serpentes peçonhentas do estado do Paraná.

Espécie

Características distintivas

Distribuição

Nome científico Nome vulgar

Litoral e Serra do Mar

Planaltos

Planalto 1 e 2

Planalto 3

Bothrops alternatus urutu mancha de telefone inteira

+

+

Bothrops cotiara cotiara mancha de telefone cortada; barriga sempre negra

+

+

Bothrops diporus jararaca-pintada mancha em V invertida cortada

+

Bothrops itapetiningae jararaquinha-pintada mancha mais quadrangular e cortada; espécie muito pequena; ventre bem manchado

+

Bothrops jararaca jararaca cor parda; mancha simples, em geral, triangular

+

+

+

Bothrops jararacussu jararacuçu cabeça muito grande e escura; coloração de fundo geralmente escura, com desenhos romboidais ou circulares entre as manchas de telefone

+

+

+

Bothrops moojeni jararacão, caiçaca mancha em V invertido; aspecto geral mais “aveludado”

+

Bothrops neuwiedi rabo-branco mancha de telefone cortada; barriga branca ou pintada

+

+

Crotalus durissus cascavel possui um chocalho (guizo) característico na cauda

+

+

Micrurus altirostris coral-verdadeira desenho em tríades de preto:

vermelho – preto – branco (ou amarelo) – preto – branco (ou amarelo) – preto – vermelho

+

+

Micrurus corallinus coral-verdadeira desenho mais simples:

vermelho – branco – preto – branco – vermelho

+

+

+

Micrurus decoratus  coral-verdadeira

desenho em tríades de preto; porte bem pequeno. Difere de M. altirostris por ser menor, com cabeça vermelha e focinho branco. Ocorre na encosta da Serra do Mar

+

+

Micrurus lemniscatus coral-verdadeira

desenho em tríades de preto; porte médio a grande. Difere de M. altirostris por ter pequenas manchas negras espalhadas nos espaços vermelhos

+

Total (n=13):

4 espécies

10 espécies

11 espécies


Espero que os professores das escolas no Paraná aproveitem bem esta tabela.

Agradeço a Odete Lopez Lopes e Julio Cesar de Moura-Leite pela leitura final desta carta.

(a) A monografia de Luciane Czelusniak Obrzut (2006) está repleta de recordações nostálgicas. É uma leitura deliciosa, fortemente recomendada!

(b) Foram as seguintes espécies de borboletas (entre parênteses: o número total de exemplares vistos): Adelpha sp. (1), Anartia amathea (3), Diaethria clymena (4), Dione juno (1), Dryas iulia (1), Hamadryas epinome (2), Heliconius erato / beschkei (1), Hermeuptychia sp. (1), Ortilia sp. (2; em terra umida), Philaethria wernickei (1), Phoebis argante (1), Pyrisitia sp. (numerosa), Tegosa claudina (3; visitando flores de Senecio bonariensis) e Urbanus teleus (2).

(c)
Quando esta carta estava quase pronta descobri que a ocorrência de Corbicula fluminea no rio Passaúna já tinha sido comunicada antes, por Oliveira et al. 2014. É interessante que estes pesquisadores, durante o seu período amostral (dezembro de 2008 a novembro de 2009), não encontraram nenhuma espécie de molusco nativo nos seus locais de amostragem no rio Passaúna.

(d) Segue uma breve descrição de um total de cinco exemplares adultos encontrados no Parque Municipal do Passaúna (12/02/2017), sendo três vivos e dois mortos (concha vazia): concha subglobosa; com quase cinco voltas, em enrolamento destrógero; as voltas separadas por uma sutura profunda; altura da concha = 45-55 mm; largura da concha = 40-50 mm; altura da espira = 5-7 mm; ápice da espira obtuso; altura da abertura = 35-41 mm; largura da abertura = 23-29 mm; abertura oval, flexionada para esquerdo; lábio interno branco. Devido à sutura profunda entre as voltas, esta espécie de Pomacea pertence nitidamente ao “complexo canaliculata”.

(e) Talvez tenham se referido a Mastigodryas bifossatus, cujo nomes vulgares são jararaca-do-banhado, jararacuçu-do-brejo e cobra-nova, entre outros. Trata-se de uma espécie áglifa, grande (Marques et al. 2001), com um padrão de manchas marrom-escuras simétricas e ela é bastante agressiva, em alguns casos quando se sente ameaçado, “correndo” atrás das pessoas (Veitenheimer-Mendes et al. 1993). No Paraná, M. bifossatus ocorre, por exemplo, na região dos Campos Gerais, mas em Curitiba ainda não foi encontrada (Júlio Cesar de Moura-Leite, com. pess. 2017).

REFERÊNCIAS

Agudo-Padrón, A.I. 2009. Recent terrestrial and freshwater molluscs of Paraná State, PR, Southern Brazil region: a comprehensive synthesis and check list. VISAYA Net (Cebú/ Philippinnes) 27: 1-8.

Avelar, W.E.P. 1999. Moluscos bivalves. In: Ismael, D., W.C. Valenti, T. Matsumura-Tundisi & O. Rocha (Eds.). Biodiversidade do Estado de São Paulo, Brasil: síntese do conhecimento ao final do século XX, 4: invertebrados de água doce. Documento resultante do Workshop “Bases para a Conservação da Biodiversidade do Estado de São Paulo” realizado em Serra Negra, SP, Brasil, de 30 de julho a 2 de agosto de 1997. FAPESP, São Paulo, pp. 67-68.

Avelar, W.E.P. & M.P. Vianna. 2008. Anodontites trapesialis Lamarck, 1819. Em: Machado, A.B.M., G.M. Drummond & A.P. Paglia (Eds.). 2008. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, Vol. I. Ministério do Meio Ambiente, Brasília. (Biodiversidade 19), p. 218-219.

Boffi, A.V. 1979. Moluscos brasileiros de interesse médico e econômico. HUCITEC, São Paulo. 182 pp.

Callil, C.T. & M.C.D. Mansur. 2002. Corbiculidae in the Pantanal: history of invasion in southeast and central South America and biometrical data. Amazoniana 17: 153-167.

Colley, E., L.R.L. Simone & J. Loyola e Silva. 2012. Uma viagem pela história da malacologia. Estud. Biol. (Curitiba) 34(83): 175-190.

Felipi, P.G. & Â.T. Silva-Souza. 2008. Anodontites trapesialis (LAMARCK, 1819): um bivalve parasito de peixes de água doce. Semina: Ciências Agrárias (Londrina) 29: 895-904.

Obrzut, L.C. 2006. A colônia polonesa de Tomás Coelho e a Represa do rio Passaúna – a interface entre tradição e progresso. Monografia, Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Curitiba. 91 pp.

Marques, O.A.V., A. Eterovic & I. Sazima. 2001. Serpentes da Mata Atlântica. Guia ilustrado para a Serra do Mar. Edit. Holos, Ribeirão Preto. 184 pp.

Oliveira, E., A.A.N. Meyer & R.M. Armstrong. 2014. Ocorrência e densidade populacional do molusco invasor Corbicula fluminea (Müller, 1774) (Bivalvia: Corbiculidae), no rio Passaúna, Paraná, Brasil. Estud. Biol. (Curitiba) 36(86): 103-114.

PARANÁ. Secretaria da Cultura e do Esporte. 1986. A represa e os colonos. [CODESUL], Curitiba (Cadernos do Patrimônio, Sér. Estudos 2). 144 pp.

Santos, S.R.L. dos. 2014. Percepção ambiental para conservação da natureza nas escolas municipais de Campo Largo, Paraná, Brasil. Monografia (Especialização em Análise Ambiental), Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências da Terra, Curitiba. 103 pp.

Sick, H. 1985. Ornitologia Brasileira, uma introdução. Ed. Universidade de Brasília, Brasília. 827 pp., 43 pl.

Simone, L.R.L. 1999. Moluscos gastrópodes. In: Ismael, D., W.C. Valenti, T. Matsumura-Tundisi & O. Rocha (Eds.). Biodiversidade do Estado de São Paulo, Brasil: síntese do conhecimento ao final do século XX, 4: invertebrados de água doce. Documento resultante do Workshop “Bases para a Conservação da Biodiversidade do Estado de São Paulo” realizado em Serra Negra, SP, Brasil, de 30 de julho a 2 de agosto de 1997. FAPESP, São Paulo, pp. 71-72.

Straube, F.C., E. Carrano, R.E.F. Santos, P. Scherer-Neto, C.F. Ribas, A.A.R. de Meijer, M.A.V. Vallejos, M. Lanzer, L. Klemann-Júnior, M. Aurélio-Silva, A. Urben-Filho, M. Arzua, A.M.X. de Lima, R.L.M. Sobânia, L.R. Deconto, A.Â. Bispo, S. de Jesus & V. Abilhôa. 2014. Aves de Curitiba. Coletânea de registros, Ed. 2. Hori Consultoria, Curitiba. (Hori Cadernos Técnicos 9). 528 pp. Disponível em https://ia902705.us.archive.org/19/items/2014HCT9AvesDeCuritiba2Ed/2014%20HCT-9%20Aves%20de%20Curitiba%202%20ed.pdf

Veitenheimer-Mendes, I.L., C.A. Mondin & T. Strehl (Org.). 1993. Guia ilustrado de flora e fauna para o Parque Copesul de Proteção Ambiental. Companhia Petroquímico do Sul (COPESUL) / Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB) / Instituto Estadual do Livro (IEL), Porto Alegre. 209 pp.

Zanardini, I.F. 1965. Nota sobre Diplodon e Anodontites (Mollusca-Pelecypoda) de rios de Curitiba (Paraná). Boletim do Instituto de Defesa do Patrimônio Natural, Sér. Zool., 6. 11


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2 pensamentos em “Visitando o Parque Municipal do Passaúna

  • João Henrique Dittmar Filho

    Boa tarde.
    Tenho ido ao Parque Passaúna com razoável frequência, visto que resido no bairro São Brás, o qual fica em torno de 10 minutos do parque.
    Em nenhuma ocasião encontrei alguma cobra por lá.
    Teria imenso prazer em fazer parte de algum grupo que pudesse mostrar as coisas belas que temos nos nossos parques.
    A maioria das pessoas passa correndo e não enxerga nada ao redor.
    Pássaros, pequenos animais, insetos passam desapercebidos da grande maioria dos frequentadores.
    Se a prefeitura se prontificasse a financiar algum programa que pudesse mostrar o que realmente temos de riquezas naturais, seria muito interessante.
    Quanto ao carão que você mencionou, o segundo de Curitiba fotografei no Parque Barigui, em 13/03/2017, conforme pode ser visto no WikiAves – WA2495474 .
    Nas margens do Passaúna fotografei o primeiro Bacurau de Curitiba, ninho com ovos WA1902875, adulto WA1902874 e filhotes WA1923079.
    Juntamente com um colega ” passarinheiro “, fotografamos o primeiro fogo apagou do município -WA1913850
    Então, a beira das represas e parques seriam um local bastante interessante para ministrarmos aulas de ecologia, tanto para escolas quanto para a população em geral.
    Pena que nossas autoridades tem outras prioridades e não se importem tanto com essa matéria
    Bem explicativos teus textos sobre locais visitados
    Abraços