Levantamento da flora e fauna do Bosque do Retiro Saudoso, bairro Vila Isabel, Curitiba 5


2017/07/14


“Bosque do Retiro Saudoso”, no bairro Vila Isabel, Curitiba. A seta vermelha, no canto direito inferior, indica o Norte. Reparem no “Templo das Musas”, na esquina sudeste do bosque e na residência, na esquina nordeste. A vegetação verde-pálida dominante no noroeste do bosque (canto inferior na foto) consiste de bambu (Bambusa tuldoides).

Fonte da imagem: https://earth.google.com/web/@-25.45829523,-49.29418389,926.37087011a,308.57133019d,35y,131.78635486h,54.95490128t,0r

O Bosque do Retiro Saudoso, no bairro Vila Isabel, Curitiba, ocupa a quadra inteira formada pelas ruas Prof. Dario Vellozo, Parintins, Bororós e Prof. Álvaro Jorge. O bosque é retangular e tem superfície de 1,1 hectares (110 m x 100 m). As coordenadas do seu ponto central são: 25˚27’30,53″ Sul e 49˚17’38,68″ Oeste. O terreno sobe gradualmente de 914 m acima do nível do mar, no noroeste do bosque, para 921 m, no sudeste.

No início do século XX a área foi adquirida pelo poeta e escritor Dario Persiano de Almeida Vellozo (1869-1937).(a) Na esquina sudeste do terreno encontra-se o “Templo das Musas”,(b) sede do Instituto Neo-Pitagórico. Na esquina nordeste há uma residência, acompanhada de uma pequeno jardim, horta e pomar.

Desde o ano de 1945, todo o terreno está circundado por um muro alto e ininterrupto.

Obtive a permissão de fazer um levantamento das plantas vasculares, cogumelos, borboletas e aves do bosque. Executei o trabalho através de três visitas ao local no período diurno: 16/03/2014 (10:00-12:00 h), 26/10/2014 (11:00-12:00 h) e 11/07/2017 (10:00-12:30 h), tratando-se, respectivamente, do fim de verão, metade da primavera e início do inverno.

Como resultado, foram vistas 130 espécies de plantas vasculares (9 samambaias e 121 espermatófitas), 25 espécies de macrofungos (cogumelos), 12 espécies de borboletas e 30 espécies de aves. As espécies encontradas são listadas nas Tabelas 1 a 4.

Tabela 1. Espécies de plantas vasculares do Bosque do Retiro Saudoso, registradas em 2014 e 2017.(1)

Nome científico Nome comum da espécie Número de exemplares / abundância DAP máximo (cm) Florida no local Frutificando no local Cor das pétalas (somente angiospermas) Hábito; hábitat
Procedência da espécie INV
Família Espécie
SAMAMBAIAS
Dryopteridaceae Ctenitis cf. submarginalis abundante

março

herbáceo; terrestre PP
Hymenophyllaceae Sp. 1 (material jovem e muito reduzido)

herbáceo; rupestre (numa parede de tijolos) PP
Nephrolepidaceae Nephrolepis cordifolia var. cordifolia escadinha-do-céu abundante

julho

herbáceo; terrestre PP
Polypodiaceae Campyloneurum nitidum polipódio-luzidio escasso

março

herbáceo; epifítico PP
Microgramma squamulosa polipódio-escamosa abundante

março

herbáceo; epifítico PP
Pleopeltis hirsutissima polipódio-hirsutíssimo 1

março

herbáceo; epifítico PP
Pleopeltis pleopeltifolia polipódio-estreito abundante

março

herbáceo; epifítico PP
Serpocaulon vacillans escasso

março

herbáceo; epifítico PP
Pteridaceae Pteris vittata ptéris-de-folha-longa, samambaia-do-muro abundante

março

herbáceo; rupestre PP
GIMNOSPERMAS
Araucariaceae Araucaria angustifolia pinheiro-do-paraná escassa

75

arborescente PP
Cupressaceae Platycladus orientalis árvore-da-vida-chinesa 2

18

março

arborescente EX (China)
Pinaceae Pinus elliottii var. elliottii pínus-de-elliott 1

90

março

arborescente EX (Estados Unidos)
Podocarpaceae Podocarpus lambertii pinheiro-bravo 1

arborescente PP
ANGIOSPERMAS
Acanthaceae Justicia brandgeana camarão, junta-de-cobra-pintada 1

março

branca herbáceo EX (México)
Megaskepasma erythrochlamys justícia-vermelha 1

julho

branca herbáceo EX (Venezuela)
Thunbergia grandiflora tumbérgia-azul 1

março, julho

violeta-acinzentada arbustivo; trepadeira EX (Índia)
Amaranthaceae Amaranthus caudatus rabo-de-gato escassa

março

março

arborescente EX (Ásia tropical)
Amarylladaceae Allium sp. cebolinho escassa

herbáceo EX
Araceae Philodendron bipinnatifidum guaimbê, banana-de-macaco, costela-de-adão 1

herbáceo PP
Spathiphyllum sp. lírio-da-paz escassa

março

março

branca herbáceo EX
Araliaceae Hedera helix hera escassa

semi-lenhosa; trepadeira ou prostrada EX (Velho Mundo) INV
Hydrocotyle leucocephala acariçoba escassa

herbáceo PP
Arecaceae Butia eriospatha butiá-da-serra 3

40

arborescente PP
Livistona chinensis leque-chinês, palmeira-de-

leque-da-china

1

arborescente EX (China Central, Bonin e Ilhas Ryukyu, Kyushu)
Syagrus romanzoffiana gerivá, jerivá escassa

30

arborescente PP
Asparagaceae Asparagus setaceus aspargo-samambaia escassa

março

trepadeira semi-herbáceo EX (África do Sul)
Cordyline terminalis cordiline escassa

arbustivo EX (Índia, Malásia, Polinésia)
Dracaena fragrans dracena escassa

arborescente EX (África) INV
Sansevieria trifasciata sanseviéria escassa

herbáceo, perene EX (África) INV
Asteraceae Bidens pilosa amor-seco escassa

março

março

amarela herbáceo PP INV
Chaptalia nutans língua-de-vaca escassa

março, julho

março, julho

verde herbáceo PP
Cirsium vulgare cardo 1

herbáceo EX (Europa e Ásia) INV
Conyza canadensis buva escassa

herbáceo EX (América do Norte) INV
Crepis capillaris barba-de-falcão escassa

julho

julho

amarela herbáceo EX (China e Japão)
Elephantopus mollis sucaiá, erva-grossa abundante

março

março

branca herbáceo PP
Galinsoga parviflora botão-de-ouro escassa

março

março

branca herbáceo EX (América Central) INV
Pseudogynoxis chenopodioides jalisco 1

março, julho

março

vermelha herbáceo; trepadeira PP
Sonchus oleraceus chicória-brava 1

herbáceo EX (Continente Europeu) INV
Synedrella nodiflora botão-de-ouro abundante

março, julho

março

amarela herbáceo PP
Balsaminaceae Impatiens walleriana beijo-de-freira, beijo-de-frade abundante

março, julho

março

vermelha herbáceo EX (África) INV
Bignoniaceae Campsis grandiflora trombeta-chinesa 1

outubro

vermelha arbustivo; trepadeira EX (China e Japão)
Handroanthus albus ipê-da-serra 1

130

outubro

amarela arborescente PP
Jacaranda puberula caroba abundante

outubro

violeta arborescente PP
Pyrostegia venusta cipó-de-são-joão escassa

trepadeira PP
Brassicaceae
Brassica oleracea couve escassa

herbáceo EX (sul da Europa) INV
Brassica sp. A mostarda escassa

março

março

amarela herbáceo EX
Bromeliaceae Aechmea distichantha gravatá 1

julho

julho

vermelho herbáceo; epifítico PP
Tillandsia stricta cravo-do-mato abundante

outubro

purpúrea herbáceo; epifítico PP
Vriesea philippocoburgii gravatá 1

herbáceo; epifítico PP
Cactaceae Opuntia sp. palma-brava 1

julho

herbáceo
Commelinaceae Commelina sp. trapoeraba abundante

março

março

azul herbáceo PP
Dichorisandra thyrsiflora dicorisandra 1

março

março

violeta herbáceo PP
Tradescantia fluminensis trapoeraba escassa

julho

branca herbáceo PP INV
Tradescantia zebrina lambari escassa

herbáceo EX (México) INV
Tripogandra diuretica trapoeraba escassa

março

+

lilás herbáceo PP
Convolvulaceae Ipomoea cairica campainha escassa

março, julho

violeta herbáceo; trepadeira PP INV
Ipomoea purpurea campainha escassa

março, julho, outubro

violeta herbáceo; trepadeira PP INV
Costaceae Costus spiralis caatinga escassa

março

março

herbáceo PP
Cucurbitaceae Cucurbita pepo abobora escassa

março

março

amarela herbáceo EX (América do Norte)
Sechium edule chuchu escassa

março

herbáceo; trepadeira EX (México) INV
Ebenaceae Diospyros kaki caqui escassa

outubro

março

arborescente EX (Ásia Oriental)
Ericaceae Rhododendron simsii azaleia, azálea escassa

2

março, julho

arbustivo EX (China)
Euphorbiaceae Acalypha chamaedrifolia acalifa-rasteira escassa

março

março

vermelha herbáceo EX (Índia)
Euphorbia pulcherrima poinsétia, bico-de-papagaio, flor-de-páscoa 2

2,5

julho

julho

branca (vermelha) arbustivo EX (México) INV
Manihot esculenta mandioca escassa

arbustivo EX (América tropical)
Fabaceae – Caesalpinoideae Bauhinia sp. pata-de-vaca escassa (material jovem)

Fabaceae – Faboideae Erythrina crista-galli corticeira-do-banhado 1

arborescente PP
Fabaceae – Mimosoideae Calliandra brevipes
sarandi, cabelo-de-anjo, esponjinha 2

9

julho

julho

violeta arbustivo PP
Leucaena leucocephala leucena 2

20

julho

arborescente EX (sul do México e norte da América Central)
Geraniaceae Pelargonium X hortorum gerânio escassa

março

vermelha arbustivo EX (África) INV
Hydrangeaceae Hydrangea macrophylla hortênsia escassa

março

julho

branca, rósea, azul arbustivo EX (China e Japão)
Hypoxidaceae Hypoxis decumbens mariçó-bravo abundante

março

março

amarela herbáceo PP INV
Iridaceae Neomarica caerulea pseudo-iris-azul 1

outubro

azul herbáceo PP
Lamiaceae Plectranthus scutellarioides cóleus escassa

março

março

lilás herbáceo EX (Java)
Salvia splendens sangue-de-adão abundante

março, julho, outubro

março

vermelha herbáceo PP
Lauraceae Persea americana abacateiro 2

11

arborescente EX (América Central e México) INV
Loranthaceae Struthanthus sp. erva-de-passarinho abundante

outubro

verde herbáceo PP
Tripodanthus acutifolius erva-de-passarinho escassa

herbáceo PP
Lythraceae Cuphea carthagenensis sete-sangrias abundante

março

março

violeta herbáceo PP INV
Malvaceae Hibiscus rosa-sinensis hibisco escassa

março, julho

março

vermelha arborescente EX (Ásia tropical) INV
Malvaviscus arboreus malvavisco escassa

março, julho

março

vermelha arbustivo EX (México e norte da América do Sul)
Pavonia sepium abundante

março, outubro

março, outubro

amarela arborescente PP
Marantaceae Calathea sp. calatéia, maranta, caetê escassa

herbáceo
Melastomataceae Tibouchina sp. jacatirão 1

50

julho

arborescente
Meliaceae Cedrela fissilis cedro escassa

50

arborescente PP
Moraceae Morus nigra amora escassa

arborescente EX (Ásia) INV
Musaceae Musa cv. banana-prata escassa

março

março

branca subarbustivo EX (Ásia tropical-

subtropical)

Myrtaceae Campomanesia xanthocarpa guabirobeira escassa

arborescente PP
Eucalyptus sp. eucalipto escassa

120

arborescente EX (Austrália, Nova Guiné, Taiwan)
Eugenia uniflora pitangueira escassa

25

branca arborescente PP INV
?Myceugenia sp. “guamirim” escassa

arborescente PP
Psidium cattleianum araça escassa

arborescente PP
Nyctaginaceae Bougainvillea spectabilis três-marias, primavera 1

março, julho

março

vermelho-profunda (brácteas vermelhas) arbustivo; trepadeira PP INV
Oleaceae cf. Jasminium mesnyi jasmim-amarelo 1

arbustivo, semi-herbáceo; trepadeira EX (China)
Ligustrum lucidum alfeneiro 3

16

arbustivo EX (China) INV
Osmanthus fragrans jasmim-do-imperador 1

março, julho, outubro

branca arbustivo EX (Himalaya, China e Japão)
Oxalidaceae Oxalis latifolia azedinha escassa

julho

branco herbáceo PP INV
Oxalis sp. A azedinha escassa

março

março

branco-violeta herbáceo PP
Passifloraceae Passiflora actinia maracujá 1

março, outubro

arbustivo; trepadeira PP
Phyllanthaceae Phyllanthus tenellus quebra-pedra escassa

março, outubro

março, outubro

branca herbáceo PP INV
Phytolaccaceae Petiveria alliacea guiné abundante

março

herbáceo EX (Caribe)
Phytolacca thyrsiflora caruru-brabo, fruto-de-pombo 1

março

herbáceo PP
Rivina humilis abundante

março, julho, outubro

março, julho, outubro

branca arbustivo nativa do Paraná, mas não do Primeiro planalto
Piperaceae Peperomia sp. erva-de-vidro escassa

março

verde herbáceo; epifítico PP
Poaceae Bambusa tuldoides bambu abundante

4

arbustivo EX (sul da China)
Pseudechinolaena polystachya pastinho-de-mato abundante

março, julho

março

verde herbáceo PP
Zea mays milho escassa

março

herbáceo EX (México)
Polygonaceae Rumex obtusifolius língua-de-vaca abundante

herbáceo EX (Eurásia) INV
Portulacaceae Talinum paniculatum maria-gorda abundante

março, julho

março, julho

verde herbáceo PP
Rhamnaceae Hovenia dulcis banana-do-japão, uva-do-japão abundante

arborescente EX (Japão, China e Himalaia)
Rosaceae Eriobotrya japonica nespereira, ameixa-amarela 2

17

março

arborescente EX (China e Japão) INV
Prunus serrulata cerejeira-do-japão 1

19

julho

branco-rosada arborescente EX (Japão)
Pyrus communis pera escassa

março

arbustivo EX (Velho Mundo)
Rosa sp. A roseira escassa

março, julho

julho

branca arbustivo EX (Velho Mundo)
Rosa sp. B roseira escassa

março, julho

julho

vermelha arbustivo EX (Velho Mundo)
Rubus sp. amoreira escassa

outubro

arbustivo PP
Rubiaceae Rudgea parquioides subsp. parquioides pimenteira abundante

outubro

arbustivo PP
Rutaceae Citrus reticulata mixirica 1

8

julho

arbustivo EX (sudeste da Ásia)
Citrus X limon limão escassa

8

março, julho, outubro

branca arbustivo EX (sudeste da Ásia) INV
Sapindaceae Allophylus edulis vacum escassa

arborescente PP INV
Serjania sp. cipó-timbó escassa (material jovem)

herbáceo, trepadeira PP
Solanaceae Brunfelsia pauciflora manacá 1

março, julho

violeta arborescente PP
Nicotiana alata jasmim-tabaco 1

outubro

branca herbáceo PP
Solanum americanum erva-moura, maria-pretinha 1

julho

julho

branca herbáceo PP INV
Solanum mauritianum cuvitinga, fumo-bravo 1

2

arbustivo PP
Theaceae Camellia japonica camélia 2

10

julho

outubro

branca; vermelha arbustivo EX (Japão, China e Coréia)
Urticaceae Urera baccifera urtigão 4

julho

herbáceo PP
Verbenaceae Lantana camara cambará-de-espinho 2

março

março

laranja arborescente PP INV
Xanthorrhoeaceae Aloe vera babosa 1

março

herbáceo EX (Mediterrâneo, Ilha da Madeira, Ilhas Canárias)
Zingiberaceae Hedychium coronarium lírio-do-brejo escassa

março

março

laranja herbáceo EX (Himalaia)

(1)

Fontes dos nomes científicos: Kaehler et al. 2014.

Nome comum: fontes são os fascículos da Flora Ilustrada Catarinense (1965 até o presente) e os livros de H. Lorenzi e coautores.

DAP = diâmetro a altura do peito (diâmetro à altura de 1,3 m do solo).

Florida no local: + = com flores; – = sem flores.

Frutificando no local: + = com frutos/esporângios; – = sem frutos/esporângios.

Procedência da espécie: PP = nativa do Primeiro planalto do Paraná; EX = exótica (não nativa do Brasil).

INV (Invasor): espécie considerada “invasor” (fonte: Biondi & Pedrosa-Macedo 2007).

O levantamento das plantas vasculares pode ser considerado praticamente completo, com exceção das espécies de capins, que não foram incluídas no inventário.

Das espécies de samambaias, todas nativas, duas são terrestres e as outras sete ocorrem nas árvores (epífitas) e nos muros (epífitas e rupestres). Fetos arborescentes (xaxins) estão ausentes do terreno.

Das espécies de espermatofitas (4 gimnospermas e 117 angiospermas), 116 foram identificadas em nível de espécie. Destas, 58 são exóticas do Brasil e outras 58 são nativas do Primeiro planalto paranaense, onde Curitiba se situa. Deste total, 32 espécies (19 exóticas e 13 nativas) são listadas como invasor por Biondi & Pedrosa-Macedo 2007.

É notável a total ausência no terreno de orquídeas.

O bosque contém alguns exemplares de árvores idosas e magníficas, incluindo pinheiros-do-paraná, butiás-da-serra e também um ipê-da-serra com 1,3 m de DAP.

Tabela 2. Espécies de macrofungos no Bosque do Retiro Saudoso, registradas em 16/03/2014.(1)

Substrato Organismo Observação Abundância
BASIDIOMYCOTA:
Agaricus sp. ter

comestível

1x
Auricularia fuscosuccinea mmo

dic

comestível

1x
Boletinellus rompelii ter

1x
Calvatia rugosa ter

comestível quando imaturo

escassa
Fuscoporia sp. mmo

dic

2x
Ganoderma australe mmo

dic

1x
Geastrum sp. ter

1x
Gerronema retiarium mmo

dic

1x
Gloeoporus dichrous mmo

dic

1x
Gymnopilus imperialis mmo

Eucalyptus sp.

1x
Lactocollybia aurantiaca ter

1x
Lepiota citrophylla ter

1x
Lepiota guatopoensis ter

1x
Lepiota sp. A (seção Fuscovinaceae) ter

1x
Lepista glabella ter

comestível

1x
Leucoagaricus erythrellus ter

1x
Macrolepiota bonaerensis ter

comestível

1x
Marasmiellus sp. mmo

dic

escassa
Micropsalliota cephalocystis ter

1x
Psathyrella candolleana ter

comestível

1x
Schizophyllum commune mmo

dic

escassa
Scleroderma cf. verrucosum ter

ectomicorriza com Eucalyptus sp.

venenosa

1x
Stereum hirsutum mmo

dic

1x
Trametes versicolor mmo

dic

1x
Trametes villosa mmo

dic

escassa

(1)

 

Substrato: mmo = madeira ou caules lenhosos mortos; ter = terra, húmus ou serapilheira.

Organismo que fornece o substrato: dic = plantas dicotiledôneas.

 

Os cogumelos foram nomeados em campo. Não houve coleta e, assim, também não houve exame microscópico, essa sendo a razão de algumas espécies serem identificadas apenas em nível do gênero.

Em 11/07/2017 foi encontrado um plasmódio do mixomiceto Fuligo septica.

Tabela 3. Espécies de borboletas no Bosque do Retiro Saudoso.(1)

Nome

Data e abundância

Substratos visitados

Planta alimentar da larva, segundo a literatura
Família Subfamília Espécie (nome vulgar)

16/03/2014

26/10/2014

11/07/2017

Flores de Lantana camara

Somente outros substratos
Papilionidae Papilioninae Battus sp.

1

pousado em folha Aristolochia spp. (Aristolochiaceae)
Heraclides anchisiades capys

1 macho

+

Citrus spp. (Rutaceae)
Pieridae Coliadinae Pyrisitia sp.

1

+

Cassieae (Fabaceae-Caesalpinioideae)
Pierinae Leptophobia aripa (curuquerê-da-couve)

1

ai

pousado em folha couve (Brassica oleracea) e outras Brassicaceae
Nymphalidae Ithomiinae Methona themisto (borboleta-do-manacá)

ai

1

1

pousado em folha Brunfelsia pilosa, B. uniflora (Solanaceae)
Placidina
euryanassa (grande-bandeira-espanhola)

1

pousado em folha Brugmansia suaveolens, Datura candida (Solanaceae)
Biblidinae Hamadryas sp. (assenta-pau)

2

pousado em tronco Dalechampia (Euphorbiaceae)
Heliconiinae
Dione juno (lágrimas-de-prata)

2

+

Passiflora spp. (Passifloraceae)
Dryas iulia alcionea (fogo-no-ar)

1

1

pousado em folha
Eueides isabella dianasa

1

+

Heliconius erato phyllis (castanha-vermelha)

1

+

Heliconius ethilla narcaea (mariquita)

1

pousado em folha

(1)

Fonte dos nomes científicos: Callaghan et al. 2004.

Fonte do nome vulgar da espécie: Buzzi 2009.

Abundância: 1 = 1 indivíduo; ai = alguns indivíduos.

Fonte da planta alimentar da larva: Brown Jr. 1992.

Com apenas três visitas, o levantamento das borboletas continua bastante incompleto. Estimo que num bosque deste tamanho, ao longo do ano, pode ser encontrado o dobro do número de espécies registradas até agora.

Elizabeth Araújo encontrou e fotografou no bosque três vezes um adulto morto da bruxa-gigante (Ascalapha odorata). Trata-se de uma grande mariposa da família Noctuidae, cujo adulto é frugívora e cuja larva se alimenta de várias fabáceas. Os registros de Elizabeth são: um macho em 20/04/2016, outro macho em 20/07/2016 e uma fêmea em 02/02/2017. A fêmea desta espécie se distingue do macho pela presença de uma barra branca longitudinal sobre as asas.

No que se refere às abelhas nativas, encontramos um ninho ativo do jataí (Tetragonisca angustula), em 2014, e um ninho ativo do mandaguaí (Scaptotrigona bipunctata), em 2017.

Tabela 4. Espécies de aves no Bosque do Retiro Saudoso.(1)

Nome

Registros de André

Registros feitos por outros observadores

16/03/2014

26/10/2014 11/07/2017 Número máximo de indivíduos registrados
Família Espécie (nome vulgar)
Accipitridae Rupornis magnirostris (gavião-carijó)

A

A

VA

1
Rallidae Aramides saracura (saracura-do-mato) Regularmente observada pelas residentes do terreno.
Columbidae Zenaida auriculata (pomba-de-bando)

VA

V

alguns
Columbina talpacoti (rolinha-roxa)

V

V

A

alguns
Cuculidae Piaya cayana (alma-de-gato) Uma vez observada pelas residentes do terreno.
Strigidae Asio clamator (coruja-orelhuda) Elizabeth Araújo viu em escutou um exemplar em 19/01/2015 (espécie identificada através de uma descrição verbal).
Psittacidae Brotogeris tirica (periquito-rico)

A

VA

A

alguns
Apodidae     Streptoprocne zonaris (taperuçu-de-coleira-branca)

V

1
Trochilidae Eupetomena macroura (beija-flor-tesoura) Elizabeth Araújo viu um exemplar em 06/08/2015 (espécie identificada através de uma descrição verbal).
Ramphastidae Ramphastos dicolorus (tucano-de-bico-verde) Uma vez observada pelas residentes do terreno.
Picidae Veniliornis spiligaster (picapauzinho-verde-carijó) Em outubro de 2014 morreu uma fêmea por razão desconhecida.
Falconidae Falco sparverius (quiriquiri) Em 2016 morreu um macho por razão desconhecida.
Furnariidae Furnarius rufus (joão-de-barro)

VA

VA

alguns
Synallaxis ruficapilla (pichororé)

A

1 Em dezembro de 2013 morreu um exemplar por colisão com o vidro de uma janela.
Synallaxis spixi (joão-teneném)

A

1
Thamnophilidae Thamnophilus caerulescens (choca-da-mata)

A

A

1
Tyrannidae Elaenia parvirostris (guaracava-de-bico-curto)

A

1
Elaenia
mesoleuca (tuque)

VA

1
Pitangus sulphuratus (bem-te-vi)

A

VA

alguns
Myiodynastes maculatus (bem-te-vi-rajado)

V

A

1
Tyrannus melancholicus (suiriri)

A

1
Vireonidae Cyclarhis gujanensis (pitiguari) Em 20/06/2015 morreu um macho por razão desconhecida.
Hirundinidae Pygochelidon cyanoleuca (andorinha-pequena-de-casa) Elizabeth Araújo viu um bando em 11/02/2015 (espécie identificada através de uma descrição verbal).
Troglodytidae Troglodytes musculus (corruíra)

A

VA

1
Turdidae Turdus rufiventris (sabiá-laranjeira)

VA

VA

V

alguns
Turdus subalaris (sabiá-ferreiro) Elizabeth Araújo escutou e gravou o canto em 19/08/2016.
Icteridae Gnorimopsar chopi (graúna) Elizabeth Araújo viu um exemplar em 03/06/2015 (espécie identificada através de uma descrição verbal).
Thraupidae Tachyphonus coronatus (tiê-preto) Elizabeth Araújo viu um macho imaturo em 25/06/2015 (espécie identificada através de uma descrição verbal).
Thraupis sayaca (sanhaçu-cinzento)

V

VA

alguns
Emberizidae Sicalis flaveola (canário-da-terra)

V

1

(1)

Fonte dos nomes: CBRO 2014.

Registros de André: A = registro auditivo (a espécie não foi vista); V = registro visual; VA = registro visual e auditivo.

Número máximo de indivíduos registrados no terreno.

Gostaria de fazer a sugestão aos proprietários do terreno de deixar um quarto do bosque em paz, naquela parte não recolhendo galhos mortos e serapilheira, nem cortar madeira, para que ali possam se estabelecer algumas espécies de pássaros do sub-bosque, como a pula-pula-assobiador (Myiothlypus leucoblephara) e o tororó (Poecilotriccus plumbeiceps), ambas comuns em Curitiba e cuja ausência neste bosque chega a surpreender.

Durante as minhas três visitas não foram vistas mamíferos, anfíbios e répteis. Mas algumas espécies destes grupos devem ocorrer, como o gambá
(Didelphis sp.), alguns morcegos e, possivelmente, algumas espécies de serpente. Peixes certamente estão ausentes do terreno, pois faltam corpos de água de superfície.

Agradecimentos:

– ao Instituto Neo-Pitagórico, pela permissão de visitar o terreno.

– à Elizabeth Garzuze da Silva Araújo, secretária do referido Instituto, por ter me acompanhado nas três visitas e ter guardado para mim, no seu freezer, as aves encontradas mortas no bosque ao longo dos últimos quatro anos, assim me possibilitando identificá-las. Elizabeth é sobrinha de Rozala Garzuze que foi genro de Dario Vellozo.

– aos botânicos do Museu Botânico Municipal, pela identificação do material vegetativo de Serjania.

(a) Dario Vellozo: “(…) político curitibano de origem baiana, mudou-se com o pai do Rio de Janeiro para Curitiba em agosto de 1885, aos 16 anos de idade. Em Curitiba, estudou no Parthenon Paranaense e no Instituto Paranaense. Trabalhou em repartição de polícia e na Secretaria da Fazenda do Estado. (…), casou-se com Escolástica Moraes, com quem teve doze filhos (…). Foi tipógrafo do ‘Dezenove de Dezembro’ (o jornal mais antigo do Paraná), e a partir de 1890, com a criação da ‘Revista do Club Curitybano’, intensificou seu interesse pela literatura. Colaborou com jornais e revistas, inclusive algumas ligadas à educação, e foi autor de livros de ficção, poesia, história e filosofia, (…). Fez parte do Movimento Simbolista no Paraná, juntamente com Emiliano PernettaRocha PomboNestor de Castro, entre outros. Foi maçom e defensor de ideias neopitagóricas. Em 1898, tornou-se professor interino de História Universal e do Brasil no Ginásio Paranaense, efetivado no ano seguinte. Foi professor também da Escola Normal e um dos membros fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Paranaense, criado em 1900. Em 1909, criou o Instituto Neopitagórico, onde se realizavam discussões sobre obras literárias e se cultivavam valores helenísticos, além de contar com uma editora própria. Em 1918, foi inaugurado o Templo das Musas, que passou a ser a sede do Instituto (prédio e instituição ainda hoje existentes em Curitiba). Como educador, foi autor de dois livros didáticos que foram muito utilizados pelas escolas curitibanas: ‘Lições de história’ (1902), que foi reeditado várias vezes até o final dos anos 1940, e ‘Compêndio de pedagogia’ (1907). Graças a sua produção intelectual como poetaeducador e filósofo, e sua atuação social, exerceu muita influência na vida cultural de Curitiba entre o final do século XIX e início do século XX. Sua idéias e ações foram perpetuados através de seus discípulos, dos quais o principal foi seu genro Rozala Garzuze. Dario Vellozo afastou-se do magistério em 1932 e faleceu cinco anos depois (…).” Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

(b) Endereço do Templo das Musas: Rua Prof. Dario Vellozo no 460.

REFERÊNCIAS

Biondi, D. & J.H. Pedrosa-Macedo. 2007. Plantas invasoras encontradas na área urbana de Curitiba (PR). Floresta
(Curitiba) 38: 129-144.

Brown Jr., K.S. 1992. Borboletas da Serra do Japi: diversidade, hábitats, recursos alimentares e variação temporal. In: Morellata, L.P.C. (Ed.). História natural da Serra do Japi. Ecologia e preservação de uma área florestal no Sudeste do Brasil. UNICAMP/FAPESP, Campinas, pp. 142-187.

Buzzi, Z.J. 2009. Nomes populares de insetos e ácaros do Brasil. Editora UFPR, Curitiba. 629 pp.

Callaghan, C.J., M.M. Casagrande, G. Lamas (Ed.), O.H.H. Mielke, T.W. Pyrcz, R.K. Robbins & A.L. Viloria. 2004. Atlas of the Neotropical Lepidoptera. Checklist: Part 4A. Hesperioidea – Papilionoidea. Scientific Publishers, Gainesville/Washington/Hamburg/Lima/Taipei/Tokyo. 439 pp.

CBRO (Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos). 2014. Listas das Aves do Brasil. Versão 1/1/2014. Disponível em: <http://www.cbro.og.br>. Acesso em novembro de 2015.

Kaehler, M., R. Goldemberg, P.H. Labiak Evangelista, O. dos S. Ribas, A.O.S. Vieira & G.G. Hatschbach. 2014. Plantas vasculares do Paraná. Universidade Federal do Paraná, Departamento de Botânica, Curitiba. 190 pp.


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5 pensamentos em “Levantamento da flora e fauna do Bosque do Retiro Saudoso, bairro Vila Isabel, Curitiba

  • Livia

    André, parabéns pelo estudo, realmente bastante interessante este bosque… morei há alguns anos bem pertinho dele, cerca de 1 quadra dali e nas minhas caminhadas pelo bairro eu avistei 2 saracuras-do-mato, bastante ariscas! Depois que as vi, sempre fiquei imaginando a quantidade de espécies (aves, plantas, insetos…) que poderia haver naquele bosque, obrigada!

  • Erica Cintra

    Prezado André, boa tarde, vejo agora seu belíssimo registro ao inventariar as espécies nativas da fauna e flora do bosque Retiro Saudoso. Fiquei surpresa pelo apurado e o detalhamento do encontrado. A família recebe com muita alegria e positiva expectativa o seu retorno investigativo; e suas dicas, pode ter certeza, serão colocadas em prática a fim de propiciar condições de reunir o maior número de espécies vegetais e de pássaros naquele espaço tão especial, praticamente, um pulmão natural na Vila Isabel. Um forte abraço e um agradecimento especial pelo realizado, em nome de todos que ali habitam e colaboram para a manutenção de sua vitalidade.

  • Sato

    Moro relativamente perto do local, e às vezes passo ao lado nas minhas caminhadas. Sempre tive a curiosidade de saber o que tinha ali e quem preservou tudo aquilo. André, parabéns pelo belo trabalho! Só falta as fotos dos cogumelos e plantas em suas cartas ;).